segunda-feira, 30 de junho de 2008
Publicidade x Culto ao Corpo
Realmente a intensificação do "culto ao corpo" na sociedade contemporânea é cada vez maior. Como visto no post da Leticia, podemos considerar que toda essa preocupação com o corpo "ideal" é uma questão que ganha muita força na modernidade, pautada na idéia de estética e boa saúde (sabemos que é furada, pois até a novela das oito “ Páginas da Vida” já mostrou o drama da pequena bulimica). O discurso do corpo "ideal" (aquele bem torneado, malhado, bronzeado, etc) atinge todas as classes sociais e faixas etárias (veja a Gretchen, a base de muito botox e cirurgias plásticas, querendo ser menininha. Mesmo parecendo muito mais o Alice Cooper, do que com qualquer outra coisa). Lógico que o corpo "ideal" aqui tratado é segundo as concepções culturais ocidentais (dizendo de maneira mais ampla). Até porque, as formas de ser belo variam culturalmente (veja mais aqui).
Na sociedade contemporânea, o corpo é o diferencial, ao menos é isso o que a grande maioria pensa. O que você come, o que você veste, os produtos que usa, os cuidados que tem com seu corpo, tudo contribui para a formação da sua imagem. Essa idéia do corpo "perfeito" é introjetada de maneira tão eficaz que somos atingidos por ela, muita das vezes, sem nem mesmo percebermos. Ou vai dizer que alguém força você a fazer aquela caminhada de manhã, a malhar pesado na academia, a correr em volta do quarteirão, a fazer a dieta da sopa, etc? Não mesmo. O autocontrole se faz vigente, por mais que pensemos que estejamos livres dele. A vergonha de não estar dentro dos moldes do ideal físico contemporâneo é tamanha, que apelamos para exercícios, dietas, anabolizantes e até mesmo para cirurgias plásticas (como vemos no programa norte-americano “I Want a Famous Face”, por exemplo).
É importante lembrar que desde o início, essa crescente preocupação imagética e estética relacionadas ao "culto ao corpo" foi intensificada pelo papel da mídia (impressa e áudio-visual). Um exemplo bem claro disso é o cinema e a televisão, com sua rede de "celebridades" que demonstram os moldes estéticos e imagéticos que devemos seguir.
Após essa breve introdução, um fato que me chama bastante atenção é o aumento significativo da exploração da imagem de atletas em propagandas publicitárias. No entanto, o que me causa inquietamento é o fato desses atletas (os exemplos maiores dos moldes do ideal físico contemporâneo) estarem presentes em comerciais publicitários de produtos que nada tem a ver com a questão da saúde, muito pelo contrário.
Exemplo 1: Atletas + Refrigerantes:
Guga e Denílson - Pepsi.
Não preciso nem falar que refrigerante não é o tipo de bebida indicado pelos nutricionistas como o mais saudável, né?
Exemplo 2: Atletas + Bebidas alcoólicas:
Romario e Zola - Cerveja Heineken.
O piloto de Fórmula NASCAR, Dale Jr. - Cerveja Budweiser.
Comercial de bebida alcoólica utilizando jogadores de futebol até vai, Garrincha tá aí pra provar que mesmo com fama de bêbado a prática do bom futebol ainda era possível. Agora, utilizar um piloto de corrida, dirigindo seu carro em altíssima velocidade pra fazer uma propaganda de cerveja (outra bebida das não mais saudáveis) é um belo exemplo de irresponsabilidade.
Exemplo 3: Atletas + Fast-Food:
Jordan e Bird - McDonald's.
Pois é, a alimentação de uma atleta de ponta se restringe a 5 Big Mac's por dia!
Exemplo 4: Atletas + Cigarros:
Gerson - Cigarros Vila Rica.
Tudo bem que o Gerson é um EX-atleta, mas só de termos uma pessoa ligada fortemente ao esporte em algum momento de sua vida fazendo propaganda de cigarro é de assustar, ao menos foi essa a sensação que eu tive ao ver esse comercial.
O mais impressionante nisso tudo é que certamente (nem sei se isso ocorreu mesmo, mas imagino!) esses comerciais fizeram com que os produtos aumentassem suas vendas. A utilização em comerciais publicitários desses atletas-celebridades, tratados por muitos como semideuses, influenciam fortemente na sociedade, principalmente nos jovens que querem a todo custo serem iguais a seus ídolos. E isso se torna bem preocupante e nos faz pensar se o que estão vendendo atualmente é só um Big Mac, uma cerveja, um cigarro ou estilo de vida que querem que compremos e sigamos.
Obrigado pela atenção e desculpe por consumir seu tempo!
segunda-feira, 23 de junho de 2008
CONSUMUSIC 02 - SONHO MÉDIO
Uma edição muito mais completa que a edição de estréia. Dessa vez disponibilizarei além da letra da música:
1. A música em formato mp3;
2. Um vídeo que ajudará a ilustrar bem a discussão; e
3. Um link direto para um tópico no Orkut para o debate da mesma.
A música que servirá como base pra pensarmos toda discussão sobre o consumo dessa vez chama-se "Sonho Médio" da banda capixaba Dead Fish. O grupo é famoso pelo som no estilo hardcore rápido e agressivo, mas também melódico, tendo como principal tema das músicas o aspecto político/social, com letras que abordam com muita consciência o que se passa na obscura realidade das sociedades contemporâneas, sobretudo no Brasil.
E analisando brevemente a letra da música "Sonho Médio" - até poque esse espaço não é para realizar análises tão aprofundadas. Ele é feito justamente para instigar a discussão por parte de vocês (leitores) - percebe-se que nela está indicado o ciclo que o capitalismo insere na vida de todos nós. Pondo em alta o egoísmo e o individualismo em detrimento das noções de classes. E logicamente que tudo isso intensificado pela cultura consumista em que vivemos, utilizando-se de toda uma ironia presente em quase toda a letra.
Então, vamos a letra:
Dead Fish - Sonho Médio
Amanheceu mais uma vez
É hora de acordar para vencer
E ter o que falar
Alguém para mandar
Uma vida pra ordenar
Poder acumular
e ai então viver, viver e prosperar,
Mais nada a pensar,
Me myself and I,
E assim permanecer,
credicard e status quo é tudo que
penso ser, ilusão é questionar.
O sonho médio vai, vai te conquistar
e todo dia iremos juntos ao shopping pra gastar.
Ter e sempre acreditar, princípio meio e fim
A hipocrisia vai vencer
Vou sorrir para você
Será uma festa em meio a caos
E as pessoas feias pagarão.
Pois somos os eleitos, pelo menos achamos ser
Nossa raça é superior
Pois vou fingir ser daquela cor,
Roberto Campos é o nosso gurú e para sempre seremos liberais
Pra trabalhar, pra viver!
Não me importa se meus filhos não terão educação,
Eles tem que ter dinheiro e visual.
O sonho médio vai, vai te conquistar
Mentalidade de plástico e uma imagem a zelar.
Complemento:
1. Faça o download aqui a música em formato mp3. (Se não souber como baixar através do Rapidshare, basta seguir o passo-a-passo do tutorial "Como baixar arquivos no rapidshare?" na área de links que se encontra no canto direito superior de nosso blog.)
2. Assista aqui o vídeo ilustrativo da letra.
3. Acompanhe o debate sobre a letra aqui.
Obrigado pela atenção, até uma próxima oportunidade e desculpe por consumir seu tempo!
sábado, 21 de junho de 2008
Beleza é poder!
Mal mesmo eu me senti quando alguém (alguém que eu digo a professora) me disse (me disse, eu quis dizer pra turma) o que eu sempre suspeitei (mas nunca quis acreditar), de que na realidade nós pagamos pra ouvir esse tipo de coisa (coisa fica mais bonito, né gente?).
Pagamos porque simplesmente consumimos os produtos, aqueles que a linguagem publicitária com todo seu “poder de convencimento” nos leva a comprar. Apelando (porque não?) pros nossos desejos mais íntimos, a busca pela felicidade (suspiros), pelo prazer, entre outras coisas. Outro ponto muito tocado por essa linguagem é a do desejo ou do “poder” que temos em ser celebridades. Como surgiu isso? Pelo que entendo na modernidade, com o crescimento das cidades, explosão demográfica, anonimato... Uma multidão com um monte de pessoas que você nunca viu, e que talvez nunca mais verá. Conhece a sensação?
Pois bem, com ela os sujeitos modernos experimentaram muitas sensações tais como: o medo do desconhecido, as construções e desconstruções de identidades e o anonimato (aquele de que o Simmel fala).Falando em identidade, nada mais pra se construir sua identidade do que seu corpo, importante falar sobre essa nova visão do corpo, de cultivá-lo, que vem juntinho com o hedonismo e com o narcisismo (e porque não, como vemos: exibicionismo) vale lembrar que (nesse contexto) corpo saudável é corpo esbelto, e sendo bem direta corpo bonito é aquele que está na mídia: lembra daquela música de axé? “tudo que é bonito é pra se mostrar... Tira! Tira!” pois é nessa lógica mesmo é que somos levados a pensar, em geral. Apesar de sempre ter algum assanhadinho pra se despir em qualquer lugar (mesmo!) o lugar top pra isso é a praia! Lá (especialmente no posto 9 de Ipanema com os lelesks – by Marcelo Adnet) é onde podemos exibir o corpo pra quem quiser ver, comparar, elogiar, esculhambar, enfim, naquela idéia de bronze do verão, corpo perfeito, ser saudável... Muito bonito... Me lembra a música Garota de Ipanema:
Helô Pinheiro a eterna Garota de Ipanema, agora que tudo tá caindo, é só a sogra do Roberto Justus, uma sub-celebridade, né?
Em falar nisso, me lembro de continuar falando sobre o anonimato e a angústia de ser anônimo: coisa mais fácil de ver é como as pessoas têm feito de tudo para não serem anônimas, entram em reality show, inventam um dança qualquer, tem filho com famoso, casam e descasam, fazem escândalos em motéis afora, tem de tudo. Agora só pra ilustrar a falta que faz uma boa vergonha na cara é essa onda de mulherescomnomedecomida, o que é até engraçado porque realmente uma hora elas vão apodrecer.
Portanto minha gente não se angustie e nem se sinta desesperado na busca do que a publicidade quer pra você, já que inventaram que somos indivíduos vamos comprar com consciência de modo que no final de tudo tenhamos sorte de sair dessa somente esquizofrênicos... =D
quarta-feira, 18 de junho de 2008
CONSUMUSIC 01 - A ESTRÉIA
Olá à todos! Estou aqui para realizar a edição de estréia do "quadro" CONSUMUSIC. Espero que gostem e debatam sobre o conteúdo que vem a seguir. Pois bem, sem mais delongas vamos ao post em si.
Na edição de estréia do CONSUMUSIC, a música escolhida foi "Livre pra comprar" do rapper paulistano D Kay. A letra da música faz uma crítica direta à cultura de consumo relacionando-a as questões de desigualdade e exclusão social.
Com certeza a letra dessa música somará muito às discussões já realizadas em sala de aula.
Então vamos lá!
D Kay - Livre pra comprar
Eu sou livre pra comprar eu sou livre pra vender
Eu sou livre pra comer livre pra trabalhar
Eu sou livre pra pensar mas o que eu posso fazer
Se compro meu emprego e ate o meu lazer
Quem não tem mora afastado, ilhado no beco
Excluído no subúrbio ou esquecido preso e pensam
Que são livres e podem ter o luxo da novela
Presos em seu próprio mundo, o mundo da favela
Olhe bem ao seu redor, quem se considera melhor
O garoto pensador, ou a camiseta da Dior
Dulce e Gabbana, Ferrari, Mercedes e Brahma.
Você não tem e mesmo assim se engana
A TV diz que a liberdade é pra todos
Todos os que te colocam vivendo no esgoto
Pense bem meu caro, a liberdade custa caro
Você vende a alma e também a força de trabalho
Quem não nasce com dono come lixo na rua
Quem arruma um dono tem respeito e escuta
Que um dia vai vencer, que um dia vai comprar
Todo o resto que a elite já deixou de usar
A liberdade tá na sua mente tá no seu corpo
Mas onde ela vale é dentro do seu bolso
Pra quem tem dinheiro as fronteiras são paisagens
Pra quem não tem o limite é o preço da passagem
Eu tô livre pra comprar eu tô livre pra vender
O dinheiro vai me dar tudo o que eu posso querer
Mas sem cash ae não da como que eu vou fazer?
Sem money pra pagar não sou livre pra viver
A verdade de vencer na vida você sabe bem
Prestar vestibular e ser um aluno nota cem
Mas sem escola particular o que fazer?
Faculdade publica é que não vai ser
Então me diz o que é liberdade sem estudo
Viver ganhando miséria e ainda ser burro
Ate que da pra ser feliz não sabendo de nada
Roubam seu valor e você pode ainda dar risada
Mas pra quem consegue perceber a jaula em que vive
Vê que não tá ganhando nada com o aumento do PIB
Sabe, o mundo é bem maior do que só isso
Sabe que não se poder ir e vir estando liso
Por isso tem ódio e o nervoso não para
Tem gente que se contenta em poder ir um dia na praia
Mas ser livre é morar no mundo, não na cidade
Te prenderam no gueto e chamaram isso de humildade
Grades nas janelas com medo de assaltos
Eles vivem sem muros dentro do condomínio fechado
E você me diz que é livre para o amor
Quem ama não é livre quem ama é consumidor
Eu tô livre pra comprar eu tô livre pra vender
O dinheiro vai me dar tudo o que eu posso querer
Mas sem cash ae não da como que eu vou fazer?
Sem money pra pagar não sou livre pra viver
Na morte pode se escapar dessa prisão
Mas quem fica ainda tem que pagar o seu caixão
A cultura é cara por isso não é esquisito
Que o povo tenha mais filhos do que na estante, livros
Trabalhando noite e dia você vira uma marionete
A pessoa livre é quem assina o seu cheque
Há muito tempo o povo pede os seus direitos
E o que recebem é um emblema de grife no peito
Eu tô livre pra comprar tô livre pra vender
O dinheiro vai me dar tudo o que eu posso querer
Mas sem cash ae não da como que eu vou fazer?
Sem money pra pagar não sou livre pra viver.
PS: Infelizmente nesse post de estréia só consegui disponibilizar para vocês a letra da música. Muito procurei pela música e por mais informações sobre o artista. Caso saibam algo mais ou onde encontrar a música em formato para download, por favor envie-nos para: consumomidia@gmail.com
Até uma próxima oportunidade e desculpe por consumir seu tempo!
terça-feira, 17 de junho de 2008
CONSUMUSIC, o que é isso?
É muito simples: será partilhado nos posts com esse título algumas músicas, letras e videoclipes, para maior discussão sobre consumo!
Queremos fazer do Consumusic a área mais participativa deste blog (ou seja, de mim). Sim, será a área do blog onde vocês (leitores!) terão participação indispensável. Sem sua participação o Consumusic não viverá muito, pois não conhecemos tantas músicas assim, né. Eu, o Consumídia, preciso da ajuda de vocês para me construir, me ajudem nessa enviando conteúdo (de todo tipo) para discussão. Meu e-mail é: consumomidia@gmail.com
quinta-feira, 12 de junho de 2008
O amor romântico, ah o amor!!!
Aproveitando o dia dos namorados, queremos desconstruir o que até então se especulou sobre o amor.
Primeiramente, e antes de mais nada, quero deixar claro que não se trata aqui, de forma alguma, de um texto poético, romântico, inspirador, apaixonante, ou um daqueles textos para você dar para sua namorada junto com seu lindo presentinho. Não, não, se trata deste tipo de texto, e se você está procurando algo deste tipo, é melhor parar por aqui mesmo....
Bem, continuando, lamentamos (ou não) em informar que esse amor romântico é uma construção da modernidade. Sim, isso mesmo! “O mundo moderno inaugura um novo lugar para o amor na vida social” - Lazaro- Alimentado e difundido pela literatura do século XIX. Essa concepção de amor que temos atualmente, foi uma criação da ideologia burguesa do século XIX para se firmar como classe dominante. Formar um imaginário de liberdade, de indivíduo capaz de fazer escolhas. Associar estilo de vida e a determinados produtos, junto com uma linguagem publicitária forte.
Fala sério, quem nunca percebeu que dia dos namorados é pura criação do capitalismo??!! Gente só nesse contexto de sociedade, o valor do presente determina o tamanho do amor e o futuro do relacionamento!!!
O amor romântico, portanto é um senso comum, naturalizado como tal.
Se estiver solteiro, fica no mínimo incomodado com o bombardeio de coraçõeszinhos que têm nas propagandas e comerciais dos “dias dos apaixonados”, como se você fosse o único solteiro nesse dia andando pelas ruas, meio Bridget Jones, né??!
Tá, mas se mesmo assim, sabendo disso tudo (com uma pitada de amargura), você ainda queira encontrar sua cara metade (outra criação, que você no fundo sabe que não existe!), aí vão algumas dicas do consumidia para você consumir o amor romântico;
1) Flores – nenhuma mulher resiste (depois jogam todas fora)
2) Chocolates – simplesmente irresistível!
3) Jóias – cartão de crédito existe para isso mesmo né gente!
4) Pelúcia + antialérgico
Obs: quanto mais caro o presente, maior será o amor... e vocês serão felizes para sempre....
Feliz dia dos namorados!!!
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Enfim, minha estréia...
Meus criadores querem expor aqui somente idéias, observações, questionamentos acerca do que vêem em aula.
Tá, sou um blog universitário, mas não sou sério e nem quero ser chato! Por isso espero que esses meus três donos usem com leveza todo o conteúdo (das aulas...) para que eu seja lido (por favor!!) com prazer.
Mas acho que eles vão conseguir colocar aqui algumas de suas idéias acerca dos dizeres outros que interpelam seus discursos (sim, eu também estudo Análise do Discurso! \o/).
Bom consumo!!!
INSTRUÇÕES DE USO:
1) Em caso de contato com os olhos, não resista;
2) Mantenha a mente aberta para seu conteúdo;
3) Tenha paciência com os trocadilhos de quem escreve (por favor!!);
4) É importante opinar!;
5) Discorde do que leu, se necessário (mas não muito =P).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS:
CNPJ: Desconhecido
Data de fabricação: 6/12/2008
Validade: Indeterminada
Manuseie com cuidado. Não tóxico.

