terça-feira, 15 de julho de 2008

Mídia e Saúde Alimentar

E aí galera, olha o que eu recebi de uma amiga nutriconista por msn.
Ela já conhecia o blog, gostou do post sobre publicidade x culto ao corpo, e me mandou um link de uma matéria muito interessante sobre a relação da mídia e a saúde alimentar que cita até mesmo o programa voltado ao jovens, MALHAÇÃO, da Rede Globo. Achei muito interessante e MUITO completa, pois aborda assuntos presentes, não somente, nas aulas da disciplina de comunicação e cultura do consumo. Vale muito a pena dar uma lida.
Segue o link:

http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/noticia/index.php?id=11715

Acho que como complemento do que já foi discutido acima podemos citar o link a seguir:
http://www.efdeportes.com/efd9/anap.htm


Obrigado a todos, principalmente a Mari (minha grande amiga nutricionista) pela matéria, e desculpe por consumir seu tempo!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Oi gente! (não encontrei uma saudação melhor, desculpaê...)
Bem, vim aqui passar pra vocês a lista de textos que vimos esse semestre, na disciplina em questão claro. Estou aproveitando para disponibilizar alguns links também... E com o tempo talvez consiga links pra todos os textos, mas meu computador cismou em reiniciar sozinho então peço paciência (inclusive para mim!!)
Beijotchau leitores!

– DOUGLAS, Mary. “Introdução à edição de 1996”. IN: O mundo dos bens. Rio de Janeiro, editora da UFRJ, pp. 37-48.
– SLATER, Don. “Cultura de consumo e modernidade”. IN: Cultura de consumo e modernidade. São Paulo, Nobel, 2002, pp.17-39.
BOURDIEU, Pierre. “O senso da distinção”. IN: A distinção. Crítica social do julgamento. São Paulo, Edups, 2007, pp. 241-264.
– SENNETT, Richard. “O domínio público”. IN: O declínio do homem público. São Paulo, Companhia das Letras, 1988, pp. 15-44.
– WEBER, Max. A ética romântica e o espírito do capitalismo.
Baixe aqui

– ética romântica e discussão sobre o amor romântico
- CAMPBELL, Colin. “A ética romântica”. IN: A ética romântica e o espírito do consumismo moderno. Rio de Janeiro, Rocco, 2001, pp. 243-282.
- LÁZARO, André. “O amor moderno”. IN: Amor. Do mito ao mercado. Petrópolis, Vozes, 1996, cap. 10, pp. 151-171.

– Espaço e consumo – a questão da cidade e os espaços de consumo: das galerias aos shopping-centers
– PADILHA, Valquíria. Cap. 1 “Shopping center: a “cidade artificial” ontem e hoje”. IN: Shopping center, a catedral das mercadorias. São Paulo, Boitempo, 2006, pp. 35-81.

– Mídia e consumo
– LIPOVETSKY, Gilles. Cap. 1 “As três eras do capitalismo de consumo”. IN: A felicidade paradoxal. Ensaios sobre a sociedade de hiperconsumo. São Paulo, Companhia das Letras, 2007, pp. 26-37.

– Mídia e Moda
– LIPOVETSKY, Gilles. “Cultura à moda mídia”. IN: O império do efêmero. A moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo, Companhia das Letras, 1989, pp. 205-237.

– Corpo e consumo
– CASTRO, Ana Lucia. “Introdução”. IN: Culto ao corpo e sociedade. Mídia, estilos de vida e cultura de consumo. São Paulo, Annablume:FAPESP, 2007, pp. 17-30.
Baixe aqui

– mercado publicitário e segmentação de público
– RAPPAPORT, Érika. “Uma nova era de compras: a promoção do prazer feminino no West End Londrino, 1909-1914”. IN: CHARNEY, Leo e SCHWARTZ, Vanessa (orgs.). O cinema e a invenção da vida moderna. São Paulo, Cosac & Naify, 2004, pp. 157-183.
– KELLNER, Douglas. “Televisão, propaganda e construção da identidade pós-moderna”. IN: A cultura da mídia. São Paulo, EDUSC, 2001, pp. 295-334.

– O poder das marcas
– FONTENELLE, Isleide. “O “valor” da marca no tempo do não-tempo: deslocamentos na “forma-mercadoria”?.IN: O nome da marca. McDonald’s, fetichismo e cultura descartável. São Paulo, Boitempo, 2002, pp. 145-174.
Saiba sobre

– juventude como mercado estratégico
– COSTA, Jurandir Freire. “Perspectivas da juventude na sociedade de mercado”. IN: NOVAES, Regina e VANNUCHI, Paulo (orgs.). Juventude e Sociedade. Trabalho, Educação, Cultura e Participação. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2004, pp. 75-88.

– consumo e pós-modernidade
– BAUMAN, Zygmut. “Turistas e vagabundos”. IN: Globalização, as conseqüências humanas. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1999, pp. 85-110.

– do consumo ao hiper-consumo
– LIPOVETSKY, Gilles. “Rumo a um turboconsumidor”. IN: A felicidade paradoxal. Ensaios sobre a sociedade de hiperconsumo. São Paulo, Companhia das Letras, 2007, pp. 98-127.

– o consumidor como “serial-killer”
– JARVIS, Brian. “Monsters Inc.: serial killers and consumer culture”. IN: Crime. Media. Culture. Sage Publications, 2007. [Em breve disponibilizarei]


– consumo e questões políticas
– CANCLINI, Nestor. “Consumidores do século XXI, cidadãos do século XVIII”. IN: Consumidores e cidadãos. Conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro, Editora da UFRJ, 1997, pp. 13-47.

– Consumo e fragmentação das identidades
- ENNE, Ana Lucia. “À perplexidade, a complexidade: caminhos para pensar a relação entre consumo e identidade nas sociedades contemporâneas”. IN: Comunicação, Mídia e Consumo (São Paulo), v. 3, p. 11-29, 2006. [Em breve disponibilizarei]


– Múltiplas práticas de consumo
– CERTEAU, Michel. “Fazer com: usos e táticas”. IN: A invenção do cotidiano. Artes de Fazer. Vol.1. Petrópolis, Vozes, 1994, pp. 91-106; e CERTEAU, Michel. “O fim de semana”. IN: A invenção do cotidiano, vol. 2 (Morar, cozinhar). Petrópolis, Vozes, 1994, pp. 150-165.

Autores usados no blog (fora da lista da disciplina):

- ADORNO, T.
- SINGER, Ben
- BENJAMIN, Walter

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Consumismo - COMBO

Eu estava vagando pela internet pela madrugada (quem me conhece sabe que faço muito isso) e me deparei com um site muito bom sobre a sociedade de consumo em que vivemos. O site nem é voltado somente a discussão do consumo. O endereço do site é: http://www.brasilescola.com

Visitem o site, tem muita coisa legal por lá.

Achei de tamanha valia o conteúdo do site que venho através desse post compartilhar com vocês 3 links que muito me chamaram atenção lá, segue abaixo:

1. Uma análise da psicóloga Gabriela Cabral sobre o consumismo.

2. Consumo compulsivo como doença do homem contemporâneo
, por Patrícia Lopes.

3. Uma abordagem muito interessante feita por Patrícia Lopes sobre o consumo infantil.

Aliás, achei um vídeo muito interessante (sobretudo o início com o depoimento de várias crianças) que ilustra bem o comentário de Patrícia Lopes sobre o consumo infantil. Gostaria também de compartilhá-lo com vocês.
http://br.youtube.com/watch?v=1osuR2zPvYo&feature=related

Obrigado pela anteção e desculpe por consumir seu tempo!

CONSUMUSIC 03 - Hiperestimulação

Depois do último post sobre a relação da música com publicidade logo me veio a mente uma idéia pra atualizar o blog com o 3º CONSUMUSIC.

A idéia me veio principalmente quando comentei sobre os inúmeros bombardeios publicitários que sofremos cada vez mais. Foi praticamente impossível não relacioná-los com os conceitos de hiperestimulação e modernidade neurológicas presentes no texto "Modernidade, Hiperestímulo e o início do sensacionalismo popular" de Ben Singer.

A música que escolhida que trata desse assunto é "Melô da Propaganda" do rapper niteroense De Leve, considerado como um dos pioneiros a colocar suas músicas para download gratuito. Na música em questão o rapper trata de forma sarcástica os conceitos supra citados, além de criticar o mundo da indústrica fonográfica por considerá-la pautada em "jabás" e bandas pré-programadas ao sucesso pelas grandes gravadoras.

No entanto o que mais interessa na letra em questão é o poder da publicidade de se difundir de todas as maneiras e em todos os lugares possíveis, como De Leve cita. Ah, vale ressaltar também que ao ler essa letra eu lembrei imediatamente da inquietante "saga do anjo" contada pela professora Ana Enne, onde ela viajava e viu em dois horários completamente distintos (ela dormiu e acordou horas depois) a publicidade que utilizava a imagem de um anjo fixada em um ônibus na alto estrada. Ela mesmo disse que preferiria mil vezes ver a paisagem durante a viagem, mas que o maldito anjo a impedia disso (quem tava em sala no dia, vai lembrar e perceber que tem tudo a ver).

Então, vamos a letra... Vou aproveitar pra ficar em negrito a parte que se assemelha a "Saga do Anjo":


De Leve - Melô da Propaganda
Onde quer que eu vá eu vejo... propaganda.
Do lado de fora dos prédios tem ... propaganda.
No caminhão de lixo eu vejo... propaganda.
Quando eu vou dar uma cagada eu também vejo... propaganda.

Cê tá cercado! Mãos ao alto, ou melhor, no bolso
Isso é um assalto e nao é ICMS, mas o que ouço
24hs por dia, privatizaram meu sonho
sem descanso no sono, não tem espaço, onde ponho
minha cabeça pra dormir ta estampado o logo da Shell
e até na praia eu vejo aviõezinhos da Vivo no céu.
A natureza é trocada por outdoor e não podia ser melhor
assim eu vejo Gisele Bündchen com vestido Dior.

Ouço sempre coisas pra facilitar minha vida
celular com porta-níquel que vem com uma moeda embutida.
Abro a janela e vejo Ronaldinho na minha frente
com o celular da Tim com um sorriso deprimente.

Na parede dos buteco eu vejo... propaganda.
Nos postes tem galhardete com... propaganda.
Nas camisas duzôtro eu enxergo... propaganda.
Os empresários nada fazem além de... propaganda.

A Coca me ligou, convidou pra fazer propaganda
chamando um amigo que não podia ser gordo ou preto igual em Uganda.
Estranho, a bebida engorda e é preta igual carvão
qual o problema dum preto representá-la então?
Casas Bahia, primeiro cheque pré
depois nome no SPC, que soh aumenta seu CC
não abre conta no BC, tá marcado igual PC
mas se eles que roubam você, entao você entra num PC
porque não tem MPC, baixa programa de crack
escreve contra tudo que dizem certo e vai pro ataque
rouba MP3 e é a favor de todo tipo de troca.

Cansado de demagogia, e de lei que só sufoca.
Até quicê manda uma piroca, aí que nego se toca
que ninguém mais aceita o que só desemboca
nos cofres da Sony e da Universal,
que investem em jabá e talentos que regravam música internacional
ou em trio adolescente que tem atitude boçal.
Enquanto quem manda bem ainda come comida sem sal
mas tô legal porque no mundo pop toda banda
não faz mais single só investem em jingle pra propaganda

Quando ouço LS Jack eu vejo... propaganda.
O sorriso do Gugu me remete a... propaganda.
A falsidade da Hebe é igual a... propaganda.
Na televisao quem manda? Propaganda.
Onde quer que eu vá eu vejo... propaganda.
Do lado de fora dos prédios tem... propaganda.
No caminhão de lixo eu vejo... propaganda.
Quando eu vou dar uma cagada eu também vejo... propaganda.

Eu tenho direito a liberdade, direito de comprar em qualquer idade
mas se eu quiser beber tem que atingir a maioridade.
Pra onde olho eu vejo, publicidade e desejo
que só não me atrai mais que cheiro de percevejo
Dolce e Gabana, Yorgucci, Ralph Lauren
Boticário aguça meus sentidos mais doces que pólen.
Eu quero é ver televisão, comprar Elisée Belt
Victoria Secret de pêra, camisa do 50 cent e ir pra Melt.

Complemento:
1. Faça o download aqui a música em formato mp3. (Se não souber como baixar através do Rapidshare, basta seguir o passo-a-passo do tutorial "Como baixar arquivos no rapidshare?" na área de links que se encontra no canto direito superior de nosso blog.)

Obrigado pela atenção, até uma próxima oportunidade e desculpe por consumir seu tempo!

domingo, 6 de julho de 2008

Consumo Musicado

Após ler o comentário que o Rodrigo fez no post "CONSUMUSIC 02 - Sonho Médio" me veio a idéia de criar esse post mostrando a forte relação entre a indpustria musical e o consumismo.

Diferente do CONSUMUSIC, esse post mostrará a utilização de música feita para vender produtos, e não de músicas que tenham como tema em suas letras a questão do consumo. Como já foi dito aqui no blog é de total conhecimento que o consumismo faz uso dos diversos tipos de mídias para se fortalecer cada vez mais. Como sabemos, a propaganda faz uso de todos os sentidos para atingir seus objetivos. É assim com a visão, o olfato, o tato, o paladar, e não seria diferente com a audição. Por isso, a utilização de música em propgandas é muito forte no meio publicitário. Utilizações essas como: jingles, inserções de propagandas publicitárias em músicas e até mesmo contrato de bandas com empresas cedendo a esta o direito de utilização de suas canções para campanhas publicitárias (através de contratos de contratos de 360º), esta última diferente dos jingles, como veremos mais adiante.

Primeiramente falarei dos jingles que é o modo mais famoso de relacionar música a um produto/serviço. O jingle faz parte da propaganda, não da música. Poucos gostam de música. O povo gosta é de ser seduzido. E se seduz gente é com jingles.
Os jingles nada mais são que mensagens publicitárias musicadas e elaboradas com um refrão simples e de curta duração, a fim de ser lembrado com facilidade. Ou seja, música feita exclusivamente para um produto ou serviço, uma espécie de slogan memorável transmitidos em rádios e em comerciais de televisão. Essa junção de música e publicidade é com certeza muito eficiente, é bem comum lembrar-mos de jingles que há décadas não são mais transmitidos.
Quem não lembra que pra acompanhar uma pipoquinha a bebida ideal é o guaraná antártica?
Quem também não lembra como manter o "seu filhote" forte?
E duvido também que você não lembre de todos ingredientes do Big Mac.

Tenho certeza que você lembra disso tudo!


Nessa análise vale salientar que os jingles são, composições musicais utilizadas como propaganda, mesmo que não tenham sido criadas com esta finalidade (exemplo).

Vejamos 3 dos principais tipos de jingles publicitários existentes:

1. Jingle Promocional: jingle em que o objetivo é destacar ofertas que a empresa deseja promover.
Exemplo


2. Jingle Institucional: jingle que representa o hino da empresa, produto ou serviço. Não visa fazer uma promoção. Pode ser também utilizado em aniversário de empresas, instituições, produtos ou serviços, bem como em datas especiais, como: Carnaval, Páscoa, Festas Juninas, Natal, entre outras. Os jingles institucionais, em sua maioria, têm características que sensibilizam, emocionam. Com letra geralmente poética.
Exemplo

3. Jingle Paródia: é um jingle feito em músicas que já existem, sejam elas: nacionais ou internacionais. É feito uma daptação em cima da letra e se cria outra dando origem aos jingles paródias. Deve-se ter a autorização dos detentores dos direitos autorais da música para a divulgação em rádio ou TV.
Exemplo

Além dos jingles, outra forma que vem crescendo atualmente é a inserção de propagandas publicitárias em músicas. É algo meio estranho, e geralmente ocorre em gravações de versões ao vivo. É algo meio estranho. Você recebe um bombardeio de propagandas bem no momento em que você estaria buscando uma fuga através da música. O estilo musical que se destaca nessa nova forma de publicidade é o forró. Um dos nossos leitores citou uma versão de grande sucesso do grupo Babado Novo "Bola de sabão", interpretada num show no "Forró no Sítio" pelo Grupo Aviões do Forró (faça o download aqui). Comerciais de diferentes tipos podem ser ouvidos ao longo dessa música, desde comerciais de lojas de perfume à comerciais de lojas de cds. Um exemplo bem claro da hiperestimulação que sofremos.

Outra maneira que a publicidade encontrou pra se fundir cada vez mais com a música é de comprar direitos autorais de alguns artistas (através de contratos de contratos de 360º). Com isso, além da empresa poder lucrar com as músicas do modo mais tradicional (execuções em rádios e utilizações dessas em versões feitas por outros artistas), ela poderia lucrar vinculando-as a comerciais publicitários. E o que mais impressiona é que grande artistas já tendem a realizar esse tipo de negociação, o exemplo mais famoso é o de Madonna que negociou com a a empresa Live Nation os direitos sobre o seus três novos discos.

Pois bem, sem me estender demais e antes que me chamem de adorniano por considerar que a arte (música) só serve pra vender bens, uma vez que só lhe interessa apenas o sucesso comercial, vou me despedir de vocês.

Obrigado pela atenção e desculpe por consumir seu tempo!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

MODA: LIBERDADE OU APRISIONAMENTO ?

Este post tem como objetivo apenas refletir um pouco mais sobre as questões que já foram levantadas aqui e, em especial, abordar a relação da mídia com a moda. Tenho minhas inquietações no que diz respeito a esse mundo e todo o seu universo espetacularizado. Até onde somos produto dos meios, até onde nossa identidade não é influenciada pelos padrões dominantes, até onde nosso modo de vestir e nossos gostos são realmente nossos ...
Pois bem, a associação da moda com a mulher foi uma construção da modernidade; sendo assim, pode-se explicar a maior identificação feminina com as mensagens que a moda produz. Tais como o corpo magro, a elegância, o sempre vestir-se bem, também usados como forma de distinção e atribuição de sentidos. Distinguindo uma mulher das outras pela forma de vestir, de usar, dos assessórios que coloca, ela atribui valores e passa mensagens através do seu corpo.
A sedução que a roupa produz gera um desejo exacerbado que leva a um consumismo desenfreado, tentando preencher um vazio que nunca se sacia. Porque a mídia está sempre lançando algo, pois o novo de hoje, amanhã já é obsoleto. A indústria do consumo depende desse comprar exagerado para continuar ditando as regras. A mídia por sua vez, faz essa mediação, propagando o consumo como entretenimento feminino e ajudando a construir e consolidar o consumo compulsivo do sempre querer mais que cerca, principalmente, todo o glamour desse universo “fashion”.
A roupa é usada para traduzir seu conceito, sua identidade, seu jeito de dizer o que pensa, como você é ou quer ser percebida perante a sociedadade. A busca do prazer no ato da compra
está além de apenas consumir a roupa em seu aspecto material, é uma questão de se identificar com uma mensagem que este produto pode emitir, atribuindo-lhe significados. Este ato é a “promoção da identidade pessoal e legitimação da expressão individual, ou seja, diferenciar para singularizar, ao mesmo tempo em que não rompe com os padrões da sociedade”. A moda fornece mapas, caminhos para serem seguidos; ser diferente, mas ao mesmo tempo ser igual a todo mundo. Você pode ter seu estilo próprio, mas seguindo sempre as tendências da moda; as Semanas de Desfiles espalhadas por todo mundo, assim como as revistas especializadas, estão aí para isso, educar e “guiar”as pessoas a andar na moda.
Contudo, vejo que essa “moda” não é para todos, cada classe tem sua própria maneira de se distinguir. As grandes grifes são reflexos dessas posições sociais, o poder que a marca tem sobre os produtos garante status e diferenciação.
O mundo da moda é perverso, ao mesmo tempo que estimula o desejo, a inclusão,a participação, utiliza-se de mecanismos de exclusão e distinção. Em tese ela é acessível a todos, qualquer pessoa que disponha de capital pode consumir seus produtos. Daí vem o poder da marca, a bolsa da “Louis Vuitton” não é igual a que você usa, não é uma bolsa qualquer, é carregada de significados, de status, é objeto de desejo, de representação. Uma pessoa ao usar a blusa da “Colcci” está se afirmando, se diferenciando, usando o seu corpo para passar uma mensagem aos outros.
Porém, não somos de todo alienados, temos consciência do que está posto no mundo, a questão é como sair e se livrar desse jogo de sedução e prazer, como usar e descartar o que nos é imposto pelos meios de comunicação. E, sim, talvez o consumo não seja só alienação, pode ser também uma forma de resistência, de protesto. Afinal, as pessoas escolhem o que consumir, mesmo que muitas vezes, este consumo seja direcionado. Pois, estamos inseridos em um contexto social onde sentidos e significados já estão introjetados em nosso cotidiano sendo aceitos como algo natural pela maioria e, portanto, poucos ousam transformar suas roupas em maneira de resistência a este contexto pré-estabelecido. Não precisamos simplesmente aceitar esta ditadura da moda, podemos resignificar e criar a partir de conceitos que devem ser usados como base para cada um desenvolver sua própria maneira de vestir.