Então gente, inspirada no tema que a Letícia levantou, pretendo falar um pouco sobre filme O Show de Truman, que na minha opinião levanta temas relevantes para discussão.
O personagem vive dentro de uma realidade cenográfica. O que ele acredita ser real nada mais é do que uma representação, não muito diferente da nossa realidade. Vivemos em um mundo de representações e significações. Platão afirmava ser impossível separar realidade e representação. Como na parábola da caverna em que as pessoas viam nada além de sombras da realidade, pois estando ali desde que nasceram, acreditam que as sombras que vêem são a expressão do real; assim também, a única coisa que Truman conseguia ver era o que existia dentro daquele mundo cenográfico.
É importante observar, fundamentando-se na teoria crítica, a existência de duas perspectivas abordadas no filme: a do mundo conhecido por Truman e a dos telespectadores do grande show. O programa – resultado da indústria cultural – é produzido pelas instituições sociais dominantes que determinam o processo de consumo, instaurando na audiência uma reação automática e irreflexiva perante o produto. Estamos inseridos em um mundo ficcionado e somos constantemente manipulados e influenciados pela mídia e os meios de comunicação em geral.
O reality show alterava o cotidiano das pessoas de tal forma que elas paravam o que estavam fazendo para assistirem ao programa. Choravam, riam, torciam; enfim, viviam aquele momento televisivo como sendo parte de suas vidas.
Adorno fala sobre a influência da indústria cultural: esta invadiu nosso cotidiano de tal modo, que não existe mais tempo para reflexões sobre aquilo que se recebe desse universo midiático. Ele diz ser a televisão uma espécie de ópio do povo que captura a consciência do indivíduo e aliena a sociedade como um todo.
O habitus, um conceito usado por Bourdieu e Elias, é fundamental para se compreender a idéia de representação social: é um valor tão introjetado em nós que o indivíduo acredita que o seu modo de pensar é só seu, contudo está inserido em um contexto cultural coletivo. Por exemplo: o que o Truman pensava ser seu universo real era, portanto, uma criação, uma falsa realidade. O que ele acreditava querer, na verdade, não era o seu querer, mas sim, o querer coletivo dentro daquele contexto televisionado.
Um momento interessante do filme acontece quando o criador do programa, indagado por um repórter sobre o porquê Truman nunca chegou perto de descobrir a natureza real de seu mundo até aquele momento, responde:
“Aceitamos a realidade do mundo no qual estamos inseridos. É muito simples, se Truman realmente estivesse determinado a descobrir a verdade, não haveria como detê-lo”.
Truman realmente aceitou aquela realidade que lhe foi imposta ao nascer até certo ponto da trama, quando superou seus traumas e foi atrás da vida que não pôde viver até aquele momento. A influência que a mídia exerce sobre o indivíduo realmente é muito forte, devido a todos os processos de que se vale para nos dominar. Afinal, ter informação e não adquirir conhecimento, não precisar pensar, é muito cômodo e geralmente este processo é absorvido pela grande massa.
É muito difícil mudar este comportamento social, pois já fomos acostumados e educados a viver assim desde criança. Uma possível saída - e é Bourdieu quem a aponta - seria a conscientização de dominados e dominadores. Ambos os lados precisam compreender a gravidade do estado em que vivemos para que deixemos o picadeiro e passemos à vida.
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5 comentários:
mae, to no consumídia!!
\o/
hehehe
mas serio..muito bom o texto. É incrivel mesmo o como as mídias dominam as nossas vidas, mesmo que muitas vezes não percebamos nada. Esse tema tá muito presente no livro 1984 (aquele que inspirou o big brother), onde as midias atuam com semelhança com as do filme.
é amiga... verdadeiramente.. Facil assistir e acreditar no que o William Borner ta falando no Jornal Nacional, né? Na realidade, a mídia não é a única "vilã", mesmo aproveitando da cultura de massa, das mal-ensinadas mentes da maioria dos telespectadores/leitores brasileiros. Mas querendo ou nao, somos influenciados assim como "hamburgers e céu azul".. rsrs.. faz parte do nosso dia-a-dia... pouco ou muito... Mas acreditamos e "consumimos" tudo o que nos é passado. Sem uma reflexão maior. Apenas ouvimos e absorvemos, como esponjas. Liberdade de expressão e de entendimento também neh nao!? hahaha... ta bom vai.. escrevi mto... otimo texto.. to viajando ja =PP bjoka paçoka.. saudações alviverdes!!!
Finalmente, olha eu aki!!
Como tava devendo um coment, vamos lá..
Adorei o texto! (Mais uma pra concordar!) Realmente nos vemos num mundo onde a mídia influencia até no nosso voto! Modo de vestir, de se portar, o que consumir... tudo já se tornou tão influenciado que nem percebemos e seguimos achando que temos opinião própria!! O mais interessante é que temos conhecimento disso e poucos fazem algo a respeito. Assistir sim, mas ter senso e saber criticar é essencial.
Tá comentado!!
Bjinhuuuuuss, maninha!
Como diria uma das bandas bizarras q eu ouço e ninguem gosta: "Lobotomia na novela das 8. Quem nao sabe nao reclama..."
Bjos
vlw
Gostaria de parabenizar pelo blog e dizer que adorei o texto. Esse filme realmente traz muitas reflexões interessantes... eu mesma constantemente me sinto como no show de Truman, vivendo aquilo que é esperado, ditado pela sociedade, pelo consumo.
Adorei o blog!
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