Este post tem como objetivo apenas refletir um pouco mais sobre as questões que já foram levantadas aqui e, em especial, abordar a relação da mídia com a moda. Tenho minhas inquietações no que diz respeito a esse mundo e todo o seu universo espetacularizado. Até onde somos produto dos meios, até onde nossa identidade não é influenciada pelos padrões dominantes, até onde nosso modo de vestir e nossos gostos são realmente nossos ...
Pois bem, a associação da moda com a mulher foi uma construção da modernidade; sendo assim, pode-se explicar a maior identificação feminina com as mensagens que a moda produz. Tais como o corpo magro, a elegância, o sempre vestir-se bem, também usados como forma de distinção e atribuição de sentidos. Distinguindo uma mulher das outras pela forma de vestir, de usar, dos assessórios que coloca, ela atribui valores e passa mensagens através do seu corpo.
A sedução que a roupa produz gera um desejo exacerbado que leva a um consumismo desenfreado, tentando preencher um vazio que nunca se sacia. Porque a mídia está sempre lançando algo, pois o novo de hoje, amanhã já é obsoleto. A indústria do consumo depende desse comprar exagerado para continuar ditando as regras. A mídia por sua vez, faz essa mediação, propagando o consumo como entretenimento feminino e ajudando a construir e consolidar o consumo compulsivo do sempre querer mais que cerca, principalmente, todo o glamour desse universo “fashion”.
A roupa é usada para traduzir seu conceito, sua identidade, seu jeito de dizer o que pensa, como você é ou quer ser percebida perante a sociedadade. A busca do prazer no ato da compra está além de apenas consumir a roupa em seu aspecto material, é uma questão de se identificar com uma mensagem que este produto pode emitir, atribuindo-lhe significados. Este ato é a “promoção da identidade pessoal e legitimação da expressão individual, ou seja, diferenciar para singularizar, ao mesmo tempo em que não rompe com os padrões da sociedade”. A moda fornece mapas, caminhos para serem seguidos; ser diferente, mas ao mesmo tempo ser igual a todo mundo. Você pode ter seu estilo próprio, mas seguindo sempre as tendências da moda; as Semanas de Desfiles espalhadas por todo mundo, assim como as revistas especializadas, estão aí para isso, educar e “guiar”as pessoas a andar na moda.
Contudo, vejo que essa “moda” não é para todos, cada classe tem sua própria maneira de se distinguir. As grandes grifes são reflexos dessas posições sociais, o poder que a marca tem sobre os produtos garante status e diferenciação. O mundo da moda é perverso, ao mesmo tempo que estimula o desejo, a inclusão,a participação, utiliza-se de mecanismos de exclusão e distinção. Em tese ela é acessível a todos, qualquer pessoa que disponha de capital pode consumir seus produtos. Daí vem o poder da marca, a bolsa da “Louis Vuitton” não é igual a que você usa, não é uma bolsa qualquer, é carregada de significados, de status, é objeto de desejo, de representação. Uma pessoa ao usar a blusa da “Colcci” está se afirmando, se diferenciando, usando o seu corpo para passar uma mensagem aos outros.
Porém, não somos de todo alienados, temos consciência do que está posto no mundo, a questão é como sair e se livrar desse jogo de sedução e prazer, como usar e descartar o que nos é imposto pelos meios de comunicação. E, sim, talvez o consumo não seja só alienação, pode ser também uma forma de resistência, de protesto. Afinal, as pessoas escolhem o que consumir, mesmo que muitas vezes, este consumo seja direcionado. Pois, estamos inseridos em um contexto social onde sentidos e significados já estão introjetados em nosso cotidiano sendo aceitos como algo natural pela maioria e, portanto, poucos ousam transformar suas roupas em maneira de resistência a este contexto pré-estabelecido. Não precisamos simplesmente aceitar esta ditadura da moda, podemos resignificar e criar a partir de conceitos que devem ser usados como base para cada um desenvolver sua própria maneira de vestir.
4 comentários:
Muito boa a iniciativa do blog!
Deixei um comentário no post sobre a música do Dead Fish!
Expero que sobrevivam após o fim da matéria da Ana!
...arrebentou!!! Por um momento me vi na aula de teoria da comunicação...identidade, significante, representação...hehe
Cadê meus créditos???
hauhaua
:P
gostei muito do seu blog porque aborda temáticas referentes à sociedade de consumo que é muito relevante às pessoas, sobretudo à aquelas que tem ciência do que se trata pois vale salientar que é um assunto especícifico para estudantes de comunicaçõa social. meus parabens pelo seu trabalho pois você é um dos que ajuda nessa conscientização.
Bom, faz parte da nossa natureza achar que ser diferente não é ser normal, que a normalidade está presente sempre na maioria. Porém, todos nos sabemos que isso não é verdade, acho que a mídia se aproveita dessa tendência humana, pois como foi dito, as pessoas querem ser diferentes sendo iguais, não ser influenciado pela mídia ou pelo inconsciente coletivo é utopia, lembro de um estudo de caso que tive na minha faculdade, meninas de baixa renda economizando dinheiro com alimentação para comprar calças Gangue, hoje em dia, usada por Britney Spears, Paris Hilton e outras "celebridades", muitas das vezes usamos a moda pra tentar mostrar algo que não somos. Sempre pensamos no que os outros vão pensar, e acho que isso não se difere muito entre as classes sociais, já vi meninos pedindo dinheiro no sinal com tênis da Nike, se é roubado ou não, falsificado ou não isso não importa o que importa é que ele quer passar uma imagem através do que ele veste e isso é o que eu entendo como moda, não queria dizer essa frase, mas já dizendo rsrs...tem gente que come ovo e arrota caviar né rs, vivemos numa sociedade onde a imagem às vezes é a única coisa que nos resta, não interessa o que você é mas sim o que as pessoas acham que você seja...Quando a novela mostra a protagonista ,quando a própria TV ,revistas ou outdoors mostram aquela propaganda com pessoas consideradas bonitas e/ou famosas vestindo uma roupa incomum, no dia seguinte várias pessoas estão procurando ela nas lojas, esse é o papel da mídia quando se fala em moda, divulgá-la e seduzir as pessoas pro consumo, pelo menos isso é o que eu penso, porque em se tratando de moda não entendo muito rsrs, ponho qualquer roupa que eu esteja afim de por e pronto rsrs...Parabéns pelo blog pessoal, ta muito bom ;)...by Victor.
Postar um comentário